Cientistas desenvolvem método para fotografar tosse

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Técnica permite visualizar fluxo de ar durante o processo.
Método já é usado corriqueiramente para outros fins.

Denise GradyDo ‘New York Times’

No romance “The B.F.G.”, de Roald Dahl, o personagem principal, um gigante amigável, captura sonhos em jarros de vidro. Na Universidade Estadual da Pensilvânia, um professor de engenharia capturou, em filme, algo menos inusitado mas igualmente efêmero – uma tosse.

As imagens, publicadas online em 9 de outubro pelo “New England Journal of Medicine”, foram obtidas pela fotografia schlieren, que “pega um fenômeno invisível e o transforma num quadro visível,” disse o professor, Gary Settles, que é diretor do laboratório de dinâmica de gás da universidade. 

A fotografia schlieren é um processo desenvolvido para visualizar regiões de diferentes densidades num gás ou líquido, fotografados como sombras. 

“Em meu laboratório usamos muito essa técnica”, disse Settles. “Ela é comumente usada para outras coisas, como em túneis de vento supersônicos, para mostrar ondas de choque ao redor de uma aeronave de alta velocidade.” 

O processo envolve uma pequena e brilhante fonte luminosa, lentes precisamente instaladas, um espelho curvo, uma lâmina que bloqueia parte do facho de luz e outras ferramentas que possibilitam ver e fotografar perturbações no ar. No mundo da dinâmica dos gases, uma tosse é meramente “um jato de ar turbulento com mudanças de densidade.” 

Embora a tosse transmita tuberculose, SARS, gripe e outras doenças, ainda se conhece surpreendentemente pouco sobre ela. “Não temos um bom entendimento sobre o fluxo de ar,” afirmou Settles. 

Para mapear uma tosse, ele se juntou a Julian Tang, um especialista em vírus de Cingapura. Um estudante saudável forneceu a tosse. O ar expelido, viajando a 18 milhas por hora, se misturou ao ar mais frio à sua volta e produziu “diferenças de temperatura que curvam os raios de luz em diferentes quantidades,” disse Settles. 

E prosseguiu: “O próximo passo é colocar duas pessoas conversando em frente a um espelho, ou uma tossindo na outra, e ver como o fluxo de ar se move, como as pessoas infectam umas às outras. Ou você analisa como a tosse pode disseminar infecções pelo ar num hospital. Isso é na verdade ma sugestão de como podemos estudar tudo isso. As técnicas utilizadas em túneis de vento podem ser usadas para estudar doenças humanas.”

 

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Vacina contra HPV confirma sucesso dois anos depois

Acompanhamento ainda não detectou problemas sérios ligados à vacina.
EUA planejam recomendar injeções para meninas de 11 a 12 anos.

Luis Fernando CorreiaEspecial para o G1

A vacina contra o HPV chega aos dois anos de vigilância sem problemas importantes detectados. O Centro de Controle de Doenças, em Atlanta, nos Estados Unidos, recebeu de um comitê independente de especialistas a recomendação de que as meninas de 11 e 12 anos devem receber a vacina. 
 

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A recomendação veio depois da revisão dos eventos registrados nos dois anos após a liberação da comercialização da vacina.
A vigilância de eventos pós-comercialização faz parte das obrigações dos fabricantes e dos órgãos reguladores que recebem informações de eventos adversos dos médicos que utilizaram o produto.

A vacina contra o HPV protege contra cepas agressivas do vírus que está relacionado ao câncer de colo do útero e deve ser administrada preferencialmente antes de a menina iniciar sua vida sexual.
O painel de especialistass recebeu informações de várias fontes. Entre elas destacam-se:
– O registro semanal de eventos do CDC recebido de oito sistemas de saúde privados, que comprovaram a ausência de relação entre a vacina e problemas graves como trombose venosa, reações alérgicas, convulsões ou a Síndrome de Guillan-Barré.
– A possível relação da vacina e problemas neurológicos foi afastada por um grupo de pesquisa acadêmico independente que se dedicou a estudar essa hipótese.

– Mesmo a administração inadvertida da vacina a mulheres grávidas, o que é contra-indicado não acarretou problemas à mãe e ao feto quando ocorreu.

Como o mercado recebeu a vacina
Pesquisa realizada pela Universidade do Colorado estudou a aceitação da vacina por médicos e pais nos Estados Unidos através de entrevistas com os pediatras e clínicos.
O resultado mostrou que 98% dos pediatras e 88% dos clínicos estão administrando a vacina a suas pacientes. A metade indica a vacinação aos 11 e 12 anos e o restante até os 15 anos.

Os pais por seu lado ainda resistem à indicação médica. Pelo menos 25% dos pais se recusaram a vacinar suas filhas de 11 e 12 anos. As causas não estavam relacionadas diretamente à vacina, na maioria dos casos.
Alguns pais dizem que suas filhas estão muito novas ou ainda não têm vida sexual ativa. Outra causa importante para recusa foi quando a seguradora de saúde não cobria o gasto com a vacinação.
De qualquer forma a mensagem importante é de que a vacina é segura e protege a mulheres contra a infecção pelo HPV.

A vacinação antes do início da vida sexual pode significar a redução do numero de casos de câncer de útero. No Brasil ainda vemos o triste registro de mais de 4 mil mortes por ano por esse tumor maligno. 
 

Luis Fernando Correia é médico e apresentador do “Saúde em Foco”, da CBN

 

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Japoneses conseguem clonar camundongo congelado há 16 anos

 

Experimento abre possibilidade de ressuscitar espécies extintas.
Cientistas conseguiram também derivar células-tronco do animal.

Salvador NogueiraDo G1, em São Paulo

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Se uma clonagem qualquer já tem um pouco cara de ficção científica, o que dizer do último feito de cientistas japoneses? Eles conseguiram clonar camundongos que estavam congelados havia 16 anos. O sucesso já anima os pesquisadores, que começam a ver mais chances de “ressuscitar” espécies extintas. 

O sucesso é especialmente notável se levarmos em conta as condições dos camundongos. Nenhuma substância protetora foi usada no processo de congelamento, de forma que as células dos bichos foram bem esbodegadas. Eles passaram 16 anos assim, a -20 graus Celsius, até serem resgatados para a pesquisa. 

Os japoneses, liderados por Teruhiko Wakayama, do Centro de Biologia de Desenvolvimento da Riken, em Kobe, procuraram núcleos celulares que parecessem menos estragados para tentar a clonagem, com duas linhagens de camundongos. Acabaram descobrindo, no processo, que as células cerebrais são as mais aptas para esforços do tipo. 

Aí foi usar técnicas tradicionais de clonagem: pegar um óvulo de camundongo, extrair o núcleo, introduzir o núcleo do bicho congelado e dar um choquinho, para fazer com que a célula recém-transformada em zigoto começasse a se multiplicar.

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Camundongo congelado que cedeu DNA para sua própria clonagem no Japão (Foto: Divulgação)

O resultado, com uma das linhagens, foi estupendo. Além de conseguir derivar células-tronco embrionárias, os cientistas conseguiram implantar alguns embriões clonados em fêmeas vivas, que serviram como barriga de aluguel. Após 19 dias, uma cesariana e uma ninhada de clones. Desse modo, eles conseguiram obter oito animais com material genético idêntico ao de um dos camundongos congelados. 

Da outra linhagem, só foi possível extrair células-tronco embrionárias, mas nenhuma gravidez chegou a termo. Especula-se que a razão seja não pelo congelamento dos bichos, mas pelas características da própria linhagem congelada, que havia sido fruto de cruzamento consangüíneo. (Os cientistas destacam que nenhum bicho nessas condições foi clonado até hoje, mesmo sem passar por congelamento.) 

Possibilidades futuras

A perspectiva de clonar animais cujas células foram seriamente danificadas por congelamento anima muito os pesquisadores. “A combinação de clonagem e técnicas de células-tronco embrionárias oferecem uma chance real de ressuscitar animais extintos ou preservar espécies ameaçadas com os tecidos congelados apropriados”, escreveram os cientistas, em artigo publicado na edição desta semana da “PNAS”, a revista científica da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos. 

O pensamento parece se aplicar, sobretudo, aos mamutes e outros bichos da Era do Gelo, animais que com certa freqüência são encontrados em boas condições sob o gelo. 

Entretanto, mesmo que uma clonagem bem-sucedida ainda esteja fora do alcance, a possibilidade de gerar células-tronco pode ser uma maneira de, pelo menos, obter amostras suficientes para fazer o seqüenciamento do genoma dessas criaturas perdidas. 

Claro, a despeito de todo o sucesso, o “Parque dos Dinossauros” permanece ainda muito distante (para não dizer totalmente fora do alcance), uma vez que as criaturas daquela era estão tão separadas de nós no tempo (lá se vão 65 milhões de anos!) que não resta sequer tecido vivo, ainda que deteriorado. Os fósseis encontrados pelos paleontólogos são basicamente versões “empedradas” dos antigos animais.

 

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Jovem cria painéis solares com esmalte e acetona

Cientista australiana descobriu método por acaso, quando esqueceu um produto.

Da BBC

Uma jovem cientista australiana criou células fotovoltáicas – usadas para transformar energia solar em energia elétrica – a partir de produtos parecidos com esmalte e acetona, uma impressora e um forno de pizza, baixando o preço da tecnologia.
Os painéis solares criados por Nicole Kuepper, de 23 anos, são bem mais simples e mais baratos dos que os tradicionais por não usar tecnologia de ponta, mas mantêm a mesma qualidade.
Kuepper, que é estudante da Universidade de Nova Gales do Sul e já patenteou o processo, conta que descobriu a fórmula “quase sem querer”.
“Eu estava fazendo os testes e esqueci de usar um produto. No final deu certo sem ele”, disse ela.
 

 Processo

No processo, Kuepper pulveriza químicos parecidos com esmalte em células de silício e depois passa essas células finas por uma impressora comum que, em vez de tinta, usa acetona para moldá-las no formato certo.
Depois, o material é “assado” em um forno similar ao de pizza, numa temperatura mais baixa do que a do processo normal.
Segundo a estudante, o método cria painéis solares mais baratos e tão eficientes quanto os tradicionais.
Os gastos com o processo são reduzidos por causa da simplicidade dos materiais usados e da tecnologia, além da temperatura mais baixa.
No método convencional, a temperatura utilizada na criação de painéis solares chega a até 800 graus Celsius. Com a nova técnica, a temperatura cai para 300 graus Celsius.
Além disso, o wafer de silício usado para fazer o painel solar tem a espessura de 50 micrômetros, bem mais fino se comparado com o padrão de 250 micrômetros.
Com a invenção, batizada de iJET, a australiana pretende levar energia barata e limpa para regiões sem acesso à eletricidade, inclusive em países em desenvolvimento, como o Brasil.
“Quero oferecer aos dois bilhões de habitantes menos favorecidos que não possuem facilidades elétricas, condições de ler à noite ou de se manterem informados sobre o mundo através do rádio usando energia do sol”.
Colecionadora de títulos científicos de prestígio na Austrália, a jovem ressalta que, quando o método começar a ser comercializado, daqui a três anos, ele vai reduzir a emissão de gases poluentes causadores do efeito estufa e das mudanças climáticas.
A demanda por painéis solares está crescendo em todo o mundo, mas o material ainda custa caro.
Para tornar sua casa auto-suficiente em energia, por exemplo, o australiano Michael Mobbs gastou cerca de R$ 70 mil, mas a longo prazo, a relação de custo-benefício compensa.
Mobbs não paga mais conta de luz, além de já ter economizado tudo o que gastou em 12 anos.
“Todo ano evito que cerca de quatro toneladas de carvão sejam queimadas e que oito toneladas de gases estufa sejam emitidos na atmosfera”, disse ele.
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Poder da mente move membros paralisados

Cientistas demonstraram que é possível colher sinais do cérebro e redirecioná-los para fazer com que membros paralisados voltem a mover-se.

 

A tecnologia desvia os ferimentos que evitam que os sinais nervosos viajem do cérebro até os músculos, oferecendo esperança para paralíticos (paraplégicos ou tetraplégicos) causada por danos na coluna vertebral.Leia a matéria em: http://hypescience.com/cura-paralisia/

Nasce na Espanha bebê geneticamente selecionado para salvar irmão

Caso é primeiro 100% espanhol, mas outros países já usam procedimento.
Idéia é usar sangue de cordão umbilical para salvar irmão de anemia.

A espanhola Soledad Puertas acabou de dar à luz um bebê que foi geneticamente selecionado para salvar seu filho mais velho. O procedimento foi realizado em Sevilha, marcando o primeiro caso em que a seleção genética de um bebê é feita do início ao fim na Espanha. Antes, bebês selecionados geneticamente já haviam nascido em solo espanhol, mas a seleção em si havia sido feita em outro país.

 

Soledad Puertas e seu filho recém-nascido, Javier, que teve a composição genética selecionada (Foto: Reuters)

A idéia foi escolher o embrião que resultaria no bebê Javier para que ele pudesse ceder o sangue de seu cordão umbilical para um transplante em seu irmão mais velho, de seis anos. O menino sofria com uma espécie severa de anemia congênita.

Cientistas israelenses criam gel à base de algas para regenerar coração

Pesquisadores israelenses dizem ter desenvolvido um gel à base de algas que pode regenerar tecidos do coração danificados após um ataque cardíaco.
A equipe, da Universidade de Ben Gurion, explicou que o produto age sobre o tecido cicatrizado que se forma depois de um ataque originado pela falta de oxigênio, que “mata” parte do músculo cardíaco.
Segundo os especialistas, uma vez danificada, a região nunca volta a se regenerar e no lugar do tecido sadio se forma um tecido cicatrizado.

O tecido cicatrizado é, em geral, mais fino do que o normal, o que leva o coração a trabalhar mais para bombear o sangue, abrindo caminho para novos problemas, como arritmia cardíaca ou futuros ataques.

  Testes

Segundo a coordenadora da pesquisa, Smadar Cohen, o novo gel é injetado na forma de líquido por meio de um cateter e uma vez em contato com o tecido danificado, se solidifica, permitindo seu espessamento e melhor funcionamento.
Depois de seis semanas, o gel é eliminado naturalmente do organismo, tendo deixado o tecido mais fortificado, afirmaram os especialistas.

Testes realizados em ratos e porcos mostraram que 90% dos animais que receberam o gel sobreviveram após terem sofrido um ataque cardíaco induzido, em comparação com 40% que não foram tratados com o produto. “O que o gel pode fazer é excelente”, afirmou Smadar Cohen.
A equipe liderada por Cohen já iniciou testes em pacientes que sofreram ataques cardíacos severos na Bélgica, Israel e Alemanha. Se forem bem sucedidos, futuros experimentos serão realizados nos Estados Unidos.Se a eficácia do gel for comprovada, o produto poderá estar disponível no mercado em 2011.