Depressão na Diabetes: a Galinha ou o Ovo?

 Diabetes pode causar depressão ou depressão causar diabetes? Confira no resumo de pesquisas científicas

Dr. Cesar Vasconcellos de Souza

Diabetes pode causar depressão ou depressão causar diabetes? Confira no resumo de pesquisas científicas.

Este é o título do Editorial da revista médica “Psychosomatic Medicine”, Maio 2007, volume 69, número 4, p.297-299 (“Depression in Diabetes: The Chicken or the Egg?”). Diabetes é uma doença ligada ao controle do açúcar (glicose) no sangue. Há o Tipo 1 e o Tipo 2. No Tipo 1 a pessoa precisa injetar insulina diariamente em seu corpo, enquanto que no Tipo 2 ela usa medicamentos diferentes da insulina por via oral.

Há cerca de 200 milhões de pessoas com diabetes no mundo e cerca de 121 milhões sofrendo de depressão importante. Estudos revelam que provavelmente no ano 2020 a depressão ocupará o segundo lugar dentre as doenças dos seres humanos. A primeira ainda deverá ser a cardiovascular. Tudo isto sintomas do estilo de vida ruim que as pessoas vivem. Vale lembrar que há uma diferença entre padrão de vida e qualidade de vida. Muitas pessoas ricas têm alto padrão de vida, mas têm péssima qualidade de vida, sofrendo de diabetes, hipertensão arterial, câncer, seqüelas de acidente vascular cerebral, doença de Alzheimer, doenças pulmonares como o enfisema, enfarto, etc.

Estilo de vida ruim significa má alimentação (qualidade, quantidade, horário das refeições), uso de álcool, falta de exercícios físicos, dormir tarde e pouco, trabalho excessivo, competição exagerada, visão da vida como um fim em si mesma, relações afetivas e sociais complicadas, práticas corruptas que aumentam os hormônios do estresse, fumo, uso de drogas ilícitas, falta de lazer saudável, falta de uma prática espiritual que dê sentido à existência (não ritual vazio e automático), etc.

A violência da sociedade entristece o povo e cria desesperança gerando depressão. Como solução a procura é medicar as pessoas, quando a sociedade favorece a depressão em função de cânceres sociais como a violência, a corrupção, etc. A saída não é medicar a sociedade! É buscar a mudança do caráter contaminado da pessoa.

A sociedade perdida gera em alguns depressão, e em outros causa cinismo. O cinismo produz indiferença para com o sofrimento alheio. Acostuma-se com a tragédia. Passa-se até a gostar de programas de TV que só mostram e falam disso! Dá IBOPE! E aumenta o desespero e o cinismo de quem os assiste. Este cinismo é a marca registrada dos maus políticos descarados que juram inocência até o momento quando não podem mais porque são confirmadas suas fraudes. E podem ser reeleitos na próxima eleição! E são! Meu Deus… como pode isso??? É muito cinismo para um bando de falsários! É muita maldade e corrupção para um país só! Isso não pode continuar assim!

Voltemos à ciência médica. Na referida revista “Psychosomatic Medicine” citada, tanto no editorial quanto no artigo “Sintomas Depressivos em Sujeitos com Diagnóstico e Não-Diagnosticados Diabetes Tipo 2” (p.300-305), é explicado que fizeram pesquisas para ver se poderia ser confirmada a prevalência de depressão em pessoas com diabetes (Tipo 1 ou Tipo 2) comparados com as sem diabetes. Em nove estudos com avaliações médicas feitas por um período variando de 3 à 16 anos (follow-up) concluiu-se que adultos deprimidos tiveram 37% de risco aumentado para desenvolver diabetes Tipo 2. Isto mostra a importância da depressão (depressão doença e não tristeza temporária) ser diagnosticada e tratada para evitar esta complicação clínica nos susceptíveis.

Por outro lado, outros estudos parecem mostrar algo diferente, ou seja, que somente alguns pacientes após saberem que têm diabetes ficam deprimidos. Daí a pergunta: O que vem primeiro, a galinha ou o ovo? Ou seja, a depressão provoca diabetes Tipo 2 em um grupo de pessoas ou a diabetes Tipo 2 (e Tipo 1) provoca depressão em alguns?

Diabetes e depressão em muitos casos estão realmente juntas (comorbidades). Um dos estudos revelou que havia duas vezes mais depressão em pessoas com diabetes Tipo 2 do que em pessoas sem diabetes.

Em estudos da associação destas duas doenças pensaram em dois mecanismos prováveis: 1)Trocas bioquímicas associadas com a diabetes poderiam pesar no aumento do risco do aparecimento da depressão e, 2)A depressão em diabéticos poderia ser vista como um resultado do fardo que esta doença produz na vida do indivíduo.

Verificou-se que pessoas sabendo ter diabetes tiveram um aumento do risco de desenvolver depressão, enquanto que as que não sabiam ter diabetes não tiveram. Então, o consenso que os cientistas chegaram após vários estudos é que o aumento do risco de surgir depressão em pessoas com diabetes deve-se às conseqüências do fardo de ter a diabetes e não devido à reações químicas pelos altos níveis de glicose (açúcar) no sangue. É, portanto, mais provável que sintomas depressivos sejam conseqüência do diagnóstico de diabetes. Entretanto, alguns estudos sugeriram que a diabetes poderia ser conseqüência da depressão em algumas pessoas.

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