Ansiedade Influencia Mortalidade e Condições da Doença Após Cirurgia Cardíaca

Dr. Cesar Vasconcellos de Souza

Há reconhecimento crescente sobre a importância dos fatores psicosociais na recuperação de doenças clínicas ou cirúrgicas. Estes fatores incluem estresse no trânsito, violência, corrupção geral em autoridades, excessos de calor ou frio, poluição ambiental (som, ar, visual, solo), dependência química, acidentes, conflitos sérios na família, demissão do trabalho, desemprego, injustiça social, falta de espiritualidade, etc.

Estudos científicos revelam que a recuperação de uma cirurgia, cardíaca ou não, não é inteiramente determinada por procedimentos físicos e tratamento médico, mas também por fatores sociais e psicológicos. O Prof. Dr. Adib Jatene, por exemplo, afirmou que o que mata o paciente coronariano não é trabalhar muito, mas a raiva. Dr. Dean Ornish, da Universidade da Califórnia em São Francisco, em seu livro “Amor e Sobrevivência” mostrou que o que nos motiva a fazer o que fazemos é o mais importante para explicar a saúde ou a doença, e também a doença cardíaca.

Portanto, fatores psicosociais, especialmente a ansiedade e a depressão, têm importante papel na recuperação de um pós-operatório de cirurgia cardíaca (cirurgia de revascularização coronária e de válvula).

Devido aos avanços das técnicas cirúrgicas cardíacas, a mortalidade tem diminuído bastante. Apesar disto, alguns pacientes apresentam pobre recuperação e freqüentes internações hospitalares após a cirurgia. Vários têm depressão após cirurgia de válvula cardíaca. Alguns estudos mostraram uma relação entre fobia e falha cardíaca também.

Um estudo foi feito na Europa Oriental aonde há maior risco de mortalidade e adoecimento de doenças cardíacas ainda não plenamente explicadas por fatores médicos e comportamentais. (“Anxiety Predicts Mortality and Morbidity After Coronary Artery and Valve Surgery – A 4-Year Follow-up Study”, Psychomatic Medicine 69:625-631, vol.69, number 7, September 2007). Este estudo analisou 197 pacientes que procuraram o Instituto Gottsegen de Cardiologia da Hungria entre Julho de 2000 e Maio de 2001 para cirurgia de ponte coronária e de válvula cardíaca. Os pacientes, além dos exames médicos de rotina, foram avaliados com questionários que mediam fatores psicosociais variados e respondidos 6, 12, 24, 36 e 48 meses após a cirurgia. No final da pesquisa, 82% dos pacientes responderam aos questionários pelo correio ou por telefone. Destes, 42% apresentavam importante nível de ansiedade com sintomas clínicos. Quanto à depressão, houve melhora somente no primeiro ano após a cirurgia, voltando a piorar após e mantendo-se num mesmo nível até o fim da pesquisa no 4º. ano.

Nos 4 anos da pesquisa 26,2% dos pacientes foram hospitalizados pelo menos uma vez; 18,8% duas vezes e 11.5% três ou mais vezes. Arritmia, enfarte miocárdio, angina e insuficiência cardíaca congestiva foram as principais razões pelas hospitalizações.

O estudo mostrou uma relação entre ansiedade e aumento da mortalidade e adoecimento por problemas cardíacos. Parece haver uma relação direta entre “ansiedade traço” (ansiedade como característica pessoal, diferente da “ansiedade estado” que é alta mas temporária.) na mortalidade dos pacientes pós-cirurgia cardíaca.

Ainda que os pacientes estudados nesta pesquisa apresentassem importantes níveis de ansiedade e depressão, somente a ansiedade esteve associada com o aumento da mortalidade e adoecimento. Pacientes com ansiedade traço tiveram mais internações devido à sintomas como arritmia, insuficiência cardíaca congestiva e enfarte do miocárdio durante os 4 anos da pesquisa.

Estes problemas ocorrem porque a ansiedade e depressão influenciam fatores como a desregulação do eixo pituitária-adrenal, hiperatividade do eixo sistema nervoso simpático-adrenal, alterações na atividade do sistema nervoso autônomo e na atividade dos receptores plaquetários e mudanças imunológicas, entre outros.

O medo produz reações no corpo visíveis, como suor intenso, perda de apetite, taquicardia, aumento da pressão arterial, tensão muscular, dilatação da pupila, aumento da freqüência respiratória, etc. e também piora de problemas cardíacos já existentes.

Este estudo na Hungria é importante porque naquele país o escore para ansiedade na população atinge 42.6 comparados com o dos Estados Unidos que atinge 20. Na Europa Oriental tem sido encontrado um índice maior de morte prematura de homens jovens e de meia idade. E os fatores de risco como o tabagismo, álcool e dieta ruim somente explicam parcialmente porque na Europa Ocidental os resultados são diferentes quanto à mortalidade de homens jovens que têm dieta, consumo de álcool e tabagismo mais ou menos semelhantes. Daí é que cientistas apontam como prováveis causas deste aumento maior de morte e adoecimento naquela região a presença de muita ansiedade, depressão e estresse social de alguma forma pior do que no lado Ocidental.

Sören Kiergaard, filósofo dinamarquês disse que aquele que aprendeu a lidar corretamente com sua angústia (ansiedade), aprendeu o mais importante. E Jesus Cristo disse que não precisamos andar ansiosos, mas buscar em primeiro lugar o reino de Deus pois o que precisamos realmente para a vida, será acrescentado. Não deixe a ansiedade e a depressão tomar conta de você. Faça escolhas saudáveis no seu viver, incluindo a vida emocional. Seja compassivo, evite ser agressivo em palavras, controle seu temperamento, peça a Deus mansidão de coração, peça perdão e perdoe, faça reparações às pessoas que você feriu, seja humilde, abandone a postura de prepotência, entenda que as pessoas são mais importantes que as coisas. Tudo isto ajuda a evitar e prevenir doenças cardíacas e outras.

Fonte; http://www.advir.com.br/saude/

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