Grávidas estressadas tendem a dar à luz bebês alérgicos e com asma, diz estudo

Para pesquisadores, estresse funciona como uma espécie de ‘poluição social’ para feto.
Problemas no sistema imune perduram por décadas após o nascimento da criança.

As mulheres que sofrem de estresse envolvendo dinheiro, relacionamentos e outros problemas durante a gravidez podem dar à luz bebês com tendência a ter alergias e asma, afirmam pesquisadores americanos. Os achados, apresentados durante a reunião da Sociedade Torácica Americana em Toronto (Canadá), sugerem que o estresse materno durante a gravidez pode ter conseqüências duradouras sobre os filhos.
“Essa pesquisa reforça um conjunto crescente de evidências que ligam o estresse materno a mudanças no sistema imune em desenvolvimento das crianças, mesmo durante a gravidez”, afirmou em comunicado a pesquisadora Rosalind Wright, da Escola Médica de Harvard (EUA). Wright e seus colegas descobriram que as mães mais estressadas dão à luz bebês com níveis maiores de imunoglobulina E, uma substância do sistema de defesa do organismo — mesmo que essas mães tivessem tido uma exposição muito pequena a substâncias que causam alergia durante a gravidez.

 

 Poluente social

“Esses dados dão mais apoio à idéia de que o estresse pode ser considerado uma espécie de poluente social que, quando entra em contato com o corpo, pode influenciar a resposta imune dele”, declarou Wright.

Resultados parecidos vieram de um estudo coordenado por Andrea Danese, da Universidade de Londres. No trabalho, os pesquisadores acompanharam mil neozelandeses do nascimento aos 32 anos de idade. E descobriram que crianças que passaram por estresse severo — gerado por eventos como rejeição materna, disciplina muito rígida ou abuso sexual — tinham o dobro dos níveis normais de inflamação mesmo 20 anos após os eventos estressantes.

Os marcadores ligados a inflamação no sangue são um sinal de risco aumentado para doenças do coração e diabetes. “O estresse infantil pode modificar as trajetórias de desenvolvimento e ter efeitos de longo prazo sobre o risco de outras doenças”, afirma Danese.

 

Segundo Danese, os maus-tratos na infância podem atrapalhar a capacidade dos glicocorticóides — hormônios que impedem as inflamações — de responder ao estresse mais tarde, o que levaria à depressão e outros problemas psiquiátricos. Por isso, as crianças sob essas condições deveriam começar cedo a prevenção de doenças comuns em adultos.

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