Escritora Zélia Gattai morre aos 91 em Salvador; corpo será cremado

A escritora Zélia Gattai Amado morreu às 16h30 deste sábado (17), aos 91 anos, em Salvador, devido a uma parada cardio-respiratória. Gattai estava internada desde o dia 17/4, quando passou por uma cirurgia de desobstrução do intestino. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva emitiu nota de pesar pelo falecimento da escritora, e foi decretado luto oficial de três dias no Estado da Bahia pelo governador Jacques Wagner (PT). A Academia Brasileira de Letras (ABL), também em luto, divulgou nota com declarações de alguns membros da instituição.

O corpo será velado até às 16h30 de domingo no cemitério Jardim da Saudade, no bairro de Brotas, Salvador, e depois será cremado em cerimônia reservada para a família. As cinzas de Zélia Gattai serão espalhadas pelo jardim da Casa do Rio Vermelho, em Salvador, assim como ocorreu na ocasião da morte de seu marido, o escritor Jorge Amado, em 2001.

Tuca Vieira / Folha Imagem

A escritora Zélia Gattai em seu apartamento em Salvador, em março de 2008
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A escritora havia sido inicialmente internada no dia 31 de março, após ser levada por familiares ao Hospital Aliança com dores abdominais. A situação de Zélia se agravou e no dia 17 de abril a escritora foi transferida para o Hospital da Bahia, onde ocorreu a cirurgia. Ao longo do procedimento, foi confirmada a existência de um tumor benigno, que foi retirado.

Na última sexta-feira (16), o estado de saúde da escritora, que respirava com a ajuda de aparelhos, se agravou, com “piora hemodinâmica progressiva que evoluiu para o quadro clínico de choque”, além de “piora significativa da função renal”, segundo o boletim assinado pelos médicos Jadelson Andrade, Jorge Pereira e Izio Kowes, do Hospital da Bahia. Segundo boletim divulgado na manhã do sábado (17), Zélia, sedada, apresentava quadro clinico de choque circulatório irreversível.

Zélia Gattai era viúva do escritor Jorge Amado (1912 – 2001), que teve sua obra completa relançada no último mês de março. No ano da morte do marido, Zélia foi eleita membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), para cadeira anteriormente ocupada por Amado, que teve Machado de Assis como primeiro ocupante e José de Alencar como patrono.

A escritora nasceu em 1916 em São Paulo, onde foi criada. Junto aos pais, imigrantes italianos, participou do movimento anarquista no início do século 20. Aos 20 anos, casou-se com o intelectual e militante comunista Aldo Veiga, com quem teve o filho Luiz Carlos, em 1942.

Zélia conheceu Jorge Amado em 1945, quando ambos trabalhavam pela anistia de presos políticos. A partir de então, Zélia auxiliou o processo de preparação e revisão dos livros do marido. Com o escritor, Zélia teve dois filhos: João Jorge, nascido em 1947, e Paloma, em 1952.

Sua estréia na literatura deu-se apenas em 1979, quando começou a escrever suas memórias. Seu primeiro livro, “Anarquistas, Graças a Deus”, recebeu o Prêmio Paulista de Revelação Literária. Antes disso, em 1963, ela organizou fotobiografia de Amado, intitulada “Reportagem Incompleta”.

A saúde da escritora não vinha bem e, em 2007, ela foi internada diversas vezes, tendo sido submetida a cateterismo em outubro deste mesmo ano. (Colaboraram Gabriel Carvalho e Aurélio Nunes, de Salvador)

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